Candidato a jogo do ano, título já é destaque da geração

Candidato a jogo do ano, título já é destaque da geração
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Cada geração de consoles é marcada por títulos que chegam em diferentes momentos. Enquanto jogos como Red Dead Redemption 2, e outros tantos, são títulos que chegaram no fim de suas gerações, entrando para a história como verdadeiras obras primas, outros jogos já chegam logo nos primeiros anos de um console para eternizar seus nomes, virando referência nos anos seguintes.

Hoje, estamos diante de um destes grandes sucessos que iniciam uma era. Exclusivo temporário de PlayStation 5, Deathloop chega ao mercado em momento que o console não completou ainda nem um ano sequer, mas já se firma muito provavelmente como um dos principais nomes da geração.

Desenvolvido pela Arkane Studios e publicado pela Bethesda Sotftworks, o título é um loop temporal de pura diversão e qualidade. Pecando pouco e acertando muito, o jogo entrega horas prazerosas de uma repetição agradável e extremamente divertida.

Quebre o ciclo

Em Deathloop, assumimos o papel de Colt, o carismático e convencido protagonista que está preso em um loop temporal, repetindo o mesmo dia de sua vida a cada vez em que acorda na beira de uma praia. Morrer ou chegar ao final do dia significa um recomeço, com o personagem voltando sempre para o mesmo momento.

Para sair deste ciclo, Colt deve assassinar oito alvos, os “Visionários”, em um único dia, antes que uma nova manhã se inicie já que os mortos no dia anterior sempre retornam. Desta forma, temos que explorar a ilha de Blackreef, para encontrar uma maneira de lidar com todos os alvos e enfim sair do loop temporal.

Deathloop é uma divertida e bela jornada.

No primeiro momento, Deathloop pode parecer um pouco confuso, assim como o título parecia em suas demonstrações e trailers. Apesar de haver um tutorial que explica diversos elementos do jogo, é provável que alguns jogadores sintam-se perdidos de início, com a sensação de que não tem a mínima ideia de como encontrarão uma forma de acabar com os oito visionários em um único dia.

Porém, Deathloop sabe se desenvolver na medida em que apresenta seu funcionamento aos jogadores. Uma vez que o ritmo certo é encontrado, o jogo flui de maneira extremamente agradável, enquanto o jogador realiza objetivos e vê o quebra-cabeças sendo montado.

A cada dia, é possível explorar quatro áreas da ilha em quatro períodos diferentes — manhã, meio-dia, tarde e noite -, com o jogador tendo a liberdade de escolher aonde e quando quer ir. Inclusive este é um ponto de extrema importância, uma vez que esta exploração será crucial para descobrir pistas – tanto para acabar com Visionários quanto para achar armas especiais – que são muito úteis em sua jornada. É com essa exploração também que o quebra-cabeças é montado, enquanto você e Colt descobrem mais sobre este lugar insano e seus segredos.

Descubra como acabar com o loop

Em suas primeiras explorações, é provável que você sinta-se um tanto sem rumo, pensando que não há por onde começar. O grande esquema de Deathloop é seguir as pistas encontradas, rastreando um objetivo por vezes – principalmente as pistas do Visionários -.

Uma vez que o jogador compreende esta estrutura, ela se mostra completamente prazerosa e muito bem desenvolvida. É desta maneira que o jogo entra em um ritmo realmente satisfatório e a ilha de Blackreef se mostra um verdadeiro playground sem fim. Em suas explorações, você terá três chances graças a uma habilidade de Colt que o permite retornar após as duas primeiras mortes, sempre em um lugar um pouco afastado de onde foi abatido. Na terceira morte, não há mais chances e você é obrigado a começar um novo dia.

É importante citar que no jogo é possível infundir armas e outros equipamentos importantes com um material chamado “Residuum“, fazendo com que os itens infundidos sejam seus para sempre. Porém, sem infundir itens, você os perde no momento em que recomeça o loop. Desta forma, este é um ponto importante do jogo, fazendo com que o jogador deva ter atenção para quais equipamentos deseja garantir antes do fim de cada dia ou antes de cada exploração arriscada.

A repetição se mostra satisfatória na exploração.
A repetição se mostra satisfatória na exploração.

Durante seus incontáveis dias na ilha, você passará muitas vezes pelos mesmos lugares e enfrentará os mesmos inimigos em muitas ocasiões. Para alguns jogadores, que não curtem esta proposta, o jogo pode parecer cansativo, porém devo dizer que Deathloop sabe oferecer uma “repetição disfarçada”. Embora o dia e muitas situações sejam as mesmas, explorar Blackreef nunca é exatamente igual, pois cada vez mais oportunidades podem ser descobertas pelo jogador.

Lembrando a estrutura da recente trilogia de Hitman, Deathloop incentiva o jogador a procurar por pistas, descobrir possibilidades e entender como pode usar os locais e a rotina dos inimigos para completar seus objetivos. Mais do que isso, explorar Blackreef não significa apenas descobrir formas para matar seus alvos, mas também é a maneira de descobrir mais sobre a ilha e sobre este estranho loop temporal, assim como o passado e a história de Colt também se formam desta maneira.

O jogo flui de maneira satisfatória

Enquanto o jogador descobre pistas, respostas e segredos durante suas sessões de exploração, tudo se torna ainda mais satisfatório na medida em que o combate se mostra extremamente prazeroso e refinado.

A gunplay de Deathloop é digna de aplausos, com um ritmo dinâmico que sabe tirar o melhor proveito das diferentes habilidades que podem ser utilizadas pelo jogador. Colt não conta com uma árvore de habilidades, mas pode se equipar com berloques e placas que lhe dão “poderes” variados – com as placas sendo extremamente mais potentes -.

O combate é excelente.
O combate é excelente.

Berloques de pulo duplo no ar, um berloque que reduz o coice de sua arma ou uma placa que lhe dá invisibilidade… as possibilidades são muitas, com estes itens sendo de extrema importância durante cada combate do jogo. Enquanto berloques são mais fáceis de encontrar, as placas devem ser conquistadas matando os alvos de Colt, o que você fará mais de uma vez até o momento decisivo em que todos deverão cair no mesmo dia. É importante lembrar que o Residuum é importante para infundir estes itens, para que você possa contar tanto com berloques quanto com placas sempre que quiser.

Equipado com estes itens, o jogador pode escolher quais utilizará em cada sessão. Assim, Colt é capaz de “trocar chumbo” com seus oponentes, em tiroteios que podem se decidir rapidamente, afinal o personagem pode morrer com poucos tiros. Neste aspecto, Deathloop parece ter acertado em cheio desde suas armas até suas habilidades.

Utilize as placas e berloques!
Utilize as placas e berloques!

Além disso, muitas habilidades de berloques e placas também podem servir para outros elementos como movimentação, permitindo mais mobilidade pelo mapa do jogo com pulos duplos e um teletransporte rápido. Uma vez que o jogador domina estes itens e sabe o que cada um pode lhe oferecer, este também é o caminho para dominar Blackreef, tornando a ilha o seu parque de diversões. Assim como decorar entradas e saídas, janelas, possíveis locais para se esconder e mais, faz com que cada nova exploração seja ainda mais interessante que a primeira, com o jogo correndo em um ritmo muito satisfatório e natural.

Problemas na inteligência artificial

Notei pouquíssimos problemas em Deathloop, sendo estes coisas pequenas como um bug aqui e outro ali por exemplo. Porém, o jogo não está livre de falhas que merecem certo destaque. Em minha jornada por Blackreef, senti que a inteligência artificial dos inimigos foi o que mais me desagradou.

Foram muitos os momentos em que meus oponentes mostraram-se cegos ou surdos, enquanto não me detectavam literalmente em sua frente. Não posso dizer que explorar furtivamente não se mostra também interessante, afinal há satisfação em realizar objetivos passando despercebido pelos inimigos, porém isto poderia ser ainda melhor se o jogo não apresentasse estes problemas.

A inteligência artificial realmente incomoda.
A inteligência artificial realmente incomoda.

Houveram momentos também em que inimigos me detectaram estando atrás de portas ou do lado de fora de prédios, em situações em que claramente não havia nenhuma maneira disso ser possível. Assim como por vezes ser avistado por um inimigo significa ser avistado por diversos outros perto dali, como se estivessem interligados.

Também vi oponentes com comportamentos estranhos em combate, atirando para o lado errado, virando-se de costas para mim no meio do confronto ou contornando “obstáculos” que não estavam atrapalhando.

O veredito

Deathloop já um dos destaques da geração. Enquanto tem a IA como seu maior problema, o título apresenta diversos acertos que são daqueles memoráveis. Com um ótimo gunplay, excelente exploração e também uma boa trama, o jogo sabe entregar repetição com diversão.

Certamente memorável e mostrando um alto nível técnico, o título da Arkane é grande candidato para ser eleito o melhor jogo de 2021.

Nota: 9.5/10

Prós:

  • Excelente gunplay
  • Ótimo fator repetição
  • Exploração prazerosa
  • Boa trama
  • Extramemente divertido

Contras:

  • Inteligência artificial problemática

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