Quais as diferenças entre um headphone gamer e um “normal”?

Curso Código Milinário


Mesmo após a publicação dos artigos explicando como funciona o som surround multicanal em headphones e o porquê não comprar um headset “gamer” USB/Bluetooth com 5.1/7.1 canais, ainda há pessoas que não compreenderam bem as diferenças entre um fone de ouvido comum e um headphone “gamer”. Neste texto irei explicar de uma vez por todas quais são exatamente as características que “tornam” um fone de ouvido “gamer”.

Como a indústria de jogos já provou há muito tempo ser uma grande fonte de receita, tanto no caso dos estúdios quanto no caso de fabricantes de produtos voltados para os jogadores, foram criados consequentemente fones de ouvido que atendessem melhor às necessidades desse público. Entretanto, os fones de ouvido “voltados para jogos” infelizmente não foram pensados com o intuito de oferecer uma experiência realmente melhor para os usuários e sim para ganhar dinheiro. Por conta disso, o mercado de periféricos gamer acabou trazendo uma inundação de produtos de má qualidade, que não atende como deveria os jogadores casuais e muito menos os profissionais do ramo.

Afinal de contas, o que há de diferente em um headphone gamer e um “normal”?

Muitos se fazem essa pergunta, o que é totalmente normal, pois na verdade não era para haver distinção. Um bom headphone será um fone de ouvido que conseguirá atender perfeitamente tanto o público gamer quanto o audiófilo ou mesmo aqueles usuários casuais que o utiliza para diferentes propósitos/atividades. Tendo isso em mente, irei apontar aqui o que considero desnecessário para um headphone e o que pode ser melhorado, considerando os diferentes tipos de utilização que temos.

Beleza, forma, cor, luzes RGB e… Conforto?

Headset Wireless Logitech G935. Fonte: tomsguide

Geralmente, a primeira coisa que chama a atenção de pessoas leigas é a beleza de um fone de ouvido, é por esse motivo que empresas que desenvolvem headphones gamer investem em designs que impactam os jogadores. Entretanto, a aparência não faz um produto ser funcional e este acaba sendo o grande erro da grande maioria das fabricantes, pois os desenvolvedores focam muito no formato, na cor e até mesmo chegam a implementar luzes na tentativa de destacar o produto dos demais. Consequentemente, em geral, acaba-se esquecendo de um grande fator que o público gamer precisa, o conforto!

Para se obter um bom conforto, a primeira coisa que temos que analisar é a ergonomia. Isso envolve o formato e material do arco, as ear cups (“conchas”), as ear pads (almofadas) e o peso. Você não vai querer sentir o arco pressionando a sua cabeça, por isso procure aqueles que são mais largos, sem muita pressão lateral (isso é solucionável) e bem acolchoados, de preferência com um revestimento que seja de tecido ao invés de materiais que imitam o couro, pois assim não terá um desconforto térmico ou durabilidade reduzida. As ear cups podem ser tanto abertas (open-back) quanto fechadas (closed-back), mas há diferenças entre elas, veja abaixo:

  • O que é um fone de ouvido aberto (open-back): as cups (conchas) de sua estrutura possuem grades. Geralmente os headphones open-back possuem um palco sonoro maior, um arejamento maior e um som mais equilibrado. Além disso, eles costumam dar uma sensação térmica mais agradável (menos quente) do que os closed-back.
  • O que é um fone fechado (closed-back): as cups (conchas) de sua estrutura são seladas por algum material como, por exemplo, metal, plástico ou madeira. Um headphone closed-back geralmente possui um melhor isolamento do ruído externo, graves mais desenvolvidos, um som mais “colorido” e um palco sonoro mais “apertado” comparado aos open-backs.

Tanto o material quanto o formato das ear pads (“almofadas”) irão influenciar no conforto do headphone. Geralmente obtemos um conforto e durabilidade maiores com aquelas ear pads que são feitas de tecido (liso esportivo ou veludo), pois elas não sofrem tanto desgaste como as de material que imita couro, além de serem termicamente mais confortáveis (esquentam menos). É importante mencionar que ao trocar por pads que não as originais (stock) do fone de ouvido, o som poderá mudar para melhor ou para pior, entenda o porquê aqui.

O peso é outro fator que pode influenciar no conforto geral de um jogador, principalmente pelo fato de que na grande maioria das vezes, passa-se horas sentado utilizando os headphones. Caso o fone de ouvido seja pesado, com certeza trará desconforto após um período prolongado de uso. Geralmente fones leves possuem algo em torno de 250g, mas essa característica sozinha não diz exatamente sobre como é o conforto de um fone, pois os fatores mencionados acima também irão influenciar consideravelmente na experiência geral de uso.

Aparência robusta, sóbria e… durável?

Headset Logitech G PRO. Fonte: Oficina da Net
Headset Logitech G PRO. Fonte: Oficina da Net

Durabilidade é algo que tanto o jogador quanto o audiófilo ou mesmo os usuários casuais precisam se preocupar. Para isso, é importante observar se o material utilizado nos headphones é de qualidade e se as peças são intercambiáveis. O motivo disso é devido ao desgaste natural das partes que compõem um fone de ouvido que inevitavelmente trará qualquer pessoa ao momento de troca de peças sobressalentes.

Um bom fone de ouvido permite que pelo menos se troque, com facilidade, o seu cabo e as ear pads (almofadas), pois são as peças que mais se desgastam e costumam necessitar de uma troca mais cedo que outras partes (se é que há outra a ser trocada quando se tem materiais de qualidade). Além disso, é importante avaliar se as estruturas do headphone são de boa qualidade, pois ninguém quer trocar constantemente, em um curto período de tempo, as peças devido a um projeto falho.

Peças removíveis do fone de ouvido Kuba Disco. Fonte: Kuba Audio
Peças removíveis do fone de ouvido Kuba Disco. Fonte: Kuba Audio

Para headsets, uma solução inteligente que venho notando é a utilização de microfones removíveis. A melhor delas é quando o microfone está acoplado a um cabo removível, onde temos tanto aqueles modelos que são mais simples (semelhantes ao que temos em fones de ouvido que vem com o celular), quanto modelos que vão até a boca e permitem uma captação e ajuste melhor. Isso permite que o usuário troque com mais facilidade tanto o cabo quanto o microfone do headset gamer ou mesmo um headset desenvolvido para outros propósitos como videoconferências ou na aviação.

Espacialidade, imersão e… qualidade sonora?

Imagem ilustrativa de posicionamento e separação dos sons. Fonte: Sony
Imagem ilustrativa de posicionamento e separação dos sons. Fonte: Sony

Os jogadores de jogos competitivos precisam de um headphone que tenha uma boa espacialidade e separação de sons. Mas sempre é bem-vinda aquela sensação de imersão maior. Mas o que é necessário para se conseguir isso? Não, não é um som surround multicanal de 5.1/7.1 canais, seja ele real ou emulado, entenda o porquê aqui.

Em um bom headphone estéreo (2.0), quanto maior for sua espacialidade, mais fácil será para ter a noção de distância entre você e os inimigos no game, pois será possível delimitar até onde o som está propagando. Tendo isso, você provavelmente irá obter uma separação de dos sons (na música chamado de separação de instrumentos) melhor, facilitando a percepção da direção que determinado som está vindo. Quanto melhor for este quesito, maior vai ser a percepção do posicionamento e consequentemente haverá uma precisão melhor.

Um grande erro em headphones gamer é a utilização de cabos USB, que utilizam a conexão digital. Quando você encontra headsets gamer assim, quer dizer que há um DAC e um amplificador (acesse aqui para entender como funciona) internamente, no cabo do fone de ouvido ou nas ear cups (conchas). Geralmente não há um bom resultado quando se utiliza esse tipo de solução, sendo o ideal utilizar cabos com conexão analógica (veja aqui quais tipos existem) como, por exemplo, um conector P2 (3,5 mm), pois irá permitir que se utilize equipamentos (DAC e amp) de maior qualidade para utilização em conjunto com o fone de ouvido.

Além de fones de ouvido gamer com cabo USB, há também aqueles que vem com um módulo USB com pequenos controles para que o jogador ligue um cabo P2 (que vem na caixa do produto) nele. Em ambos os casos, não há somente a simples utilização de um DAC e um amplificador para fazer com que o fone funcione, mas também é implementado um DSP (Digital Signal Processor) para alterar a maneira como os sons são produzidos, basicamente uma equalização automática. Isso causa a falsa sensação de que headphones gamer USB possuem melhor qualidade, pois headphones “normais” não vem com DAC/amp embutido e muito menos DSP integrado.

Adaptador P3 para USB-A com DAC/amp e DSP embutido. Fonte: Oficina da Net
“Adaptador” P3 para USB-A com DAC/amp e DSP embutido. Fonte: Oficina da Net

Praticidade e qualidade: É possível caminhar juntas?

Headphone Sennheiser HD6XX com microfone condensador Antlion ModMic Wireless. Fonte: EposVox (YouTube)
Headphone Sennheiser HD6XX com microfone condensador Antlion ModMic Wireless. Fonte: EposVox (YouTube)

Em se tratando de headphones gamer, teoricamente voltados para se obter um melhor desempenho em jogos, utilizar um headset sem fio Bluetooth trará uma piora na qualidade, embora ele proporcione mais praticidade ao jogador. O motivo disso é que a tecnologia Bluetooth ainda é limitada em termos de transferência de dados de áudio. Na grande maioria das vezes não temos um bom resultado na transmissão simultânea do som do headphone e do microfone.

Por conta do que foi dito acima, há duas escolhas que podem ser feitas para manter uma qualidade de áudio mínima:



Fonte Notícia